Eu quero é rosetá!!!
Essa semana estive pensando como faria uma introdução breve sobre o teatro brasileiro. Me pareceu ruim não poder ver pra crer. Concordo que temos alguns acontecidos importantes como: o escândalo e a guinada causada por Vestido de Noiva de Nelson Rodrigues encenada no teatro Municipal do Rio de Janeiro em 1943, a proibição da peça Calabar de Chico Buarque de Holanda em meados de 1960, o AI 5 (Ato Institucional número 5) que nos tira o direito quase que de pensar, ficando censuradas ou defasadas grandes peças de teatro, entre outros acontecidos. Como esses episódios não possuem documentos visuais, percebi que seria mais difícil o entendimento. Então me lembrei de uma Trupe de atores/bailarinos que conseguiram de alguma forma driblar a censura.
Em 1972, ainda sobre o domínio da ditadura militar, surge um grupo que mudaria de vez a história do Brasil e faria muito sucesso na Europa, a família DZI CROQUETTES. Formada por 13 homens, 13 talentos, dentro deles Lenie Dale, um bailarino americano que ao entrar no Dzi acrescenta uma base de dança e um profissionalismo fundamental para o grupo. A família, como é chamada pelos integrantes que moravam todos juntos numa mesma casa em Santa Tereza no Rio de Janeiro, invadem os palcos cariocas através da ironia de um vocabulário próprio e da inteligência para satirizar as instituições e romper com o pensamento de que: “Não somos homens travestidos e nem mulheres, somos GENTE”.
Agora vem a questão: como é possivel que hoje, com a quantidade de informação, cultura, lutada e conquistada que possuímos, ainda nos damos o direito de sermos artístas preconceituosos? Essa história de julgar uma pessoa pela sua sexualidade e colocar ela no grupinho correspondente é uma coisa ultrapassada. Precisamos voltar com o pensamento DZI: rodar a baiana, misturar James Brown com Carmen Miranda, diversificar nossos pensamentos e nossa vida porque quem fica parado, é poste. Eu quero é rosetá!
O documentário DZI CROQUETTES pode ser encontrado em qualquer locadora. Vale a pena resgatar um pouco da nossa história.
Fonte da fotografia: Palco Arlequins








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